• Jéssica Alvarenga

O tempo social e o tempo da natureza


Quem nunca se sentiu exausta no final do dia? Quem nunca sentiu a sensação de que precisaria ter 36 ou 48 horas para conseguir realizar tudo em um único dia? Calma, você não está sozinha. Nossas rotinas estão cada vez mais aceleradas. Somos cada dia mais cobradas por trabalho, produtividade, resultados, otimizações, comunicações, compras, decisões, perfeições, entregas etc. Isso acontece porque nossa sociedade se baseia em um sistema de funcionamento onde crescer por crescer é o que rege nossa existência. Porém a lógica “bola de neve” da sociedade do consumo atual tem se provado insustentável, pois além de esgotar nosso planeta também não está nos trazendo felicidade - sentimento este que está diretamente relacionado à qualidade do nosso tempo. Essa sociedade do desempenho coloca o trabalho em detrimento da nossa vida pessoal de autoconhecimento e de relações verdadeiras com amigos e familiares. Ao contrário do que parece, esta não é uma sociedade livre, pois nós acabamos explorando a nós mesmas.

Um dos problemas de viver assim é que temos sempre a sensação de estarmos exaustas e junto com esse esgotamento emocional vem a ANSIEDADE, uma doença neuronal que é resultado desse trauma cotidiano. Como bem registrado pelo sociólogo Byung-Chul Han, a nossa sociedade do desempenho é marcada por doenças relacionadas à mente como a depressão, a ansiedade, o pânico, o TOC, a síndrome de burnout, o déficit de atenção e a hiperatividade. Essa inquietação da sociedade só reproduz e acelera o que já existe. Por isso, a importância de estabelecermos momentos de paragem e de estados contemplativos para percebermos nossa (auto)relação com o universo - apenas assim fugiremos da atual sociedade moderna imediatista.

Em contraste com o sistema acelerado que nos é imposto está a natureza, que possui um tempo específico para realizar seus processos. Ela se auto regula de maneira cíclica onde tudo é reaproveitado, já que a Terra é finita e seus recursos são limitados. Como disse Lavoisier “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Ou seja, na natureza não há poluição, porque tudo circula perpetuamente. A menos que nossa espécie interrompa, é claro. Nosso atual modelo econômico se mostra ultrapassado pois não leva em consideração o tempo dos processos naturais, muito menos sua forma cíclica de funcionamento. A nossa cultura está alicerçada em um erro filosófico de separar o ser humano do ambiente ao seu redor e isso permite o pensamento de que a economia humana é capaz de transcender a natureza, precisando dela apenas para a exploração gratuita de matéria prima. Diferente dos exemplos que podemos ver no meio ambiente, o homem adotou um modelo econômico acelerado com fluxo linear e unidirecional de produção. Assim sendo: em uma das pontas temos matéria-prima e energia inesgotáveis (só que não), enquanto no outro lado da cadeia temos a capacidade ilimitada de absorção de resíduos (só que não). Por isso, nosso sistema não é eficiente, ele não funciona em harmonia com a natureza.

Não colocar o meio ambiente em nossas contas faz com que cada vez mais esgotemos nosso planeta. O capital evapora enquanto os ciclos da Terra se deterioram e o desequilíbrio ambiental aumenta a um ponto em que será impossível haver retorno... O que não nos damos conta é que isso levará também ao fim da nossa própria espécie e, portanto, de todo o sistema de economia linear que visa ao acúmulo de capital. O que a Terra levou bilhões de anos para construir nós estamos levando à maior e mais rápida extinção em massa que esse planeta já presenciou. A visão incompleta do mundo ao separar o ser humano da natureza nos faz querer agredir o que na verdade deveríamos estar protegendo.

Assim, num momento em que a sociedade não dialoga com a natureza, gerando um sistema de aceleração aparentemente incontrolável, se permitir pausar é então aceitar estar presente para restabelecer nossa estabilidade emocional e conexão com os processos naturais. Assim, nós resistimos ao movimento externo extremo e ativamos nosso movimento interno intenso, como indivíduos e como comunidades. Há uma retomada de fluxo entre criação e reflexão, vivência e análise, processo e produção, consciente e inconsciente, abrindo espaços-tempos fundamentais e únicos de percepção e mudança para a humanidade, que vivencia um momento de crise, em todos os níveis. Ao nos permitirmos pausar para refletir, percebemos o que é essencialmente importante na nossa vida social em harmonia com a natureza. A paragem é uma saída transformadora para uma vida slow e uma mudança de atitude rumo a uma sintonia ecossistêmica.

A Brisa é uma marca que acredita no movimento SLOW LIFE, que propõe uma forma de vida desacelerada e, portanto, com mais qualidade de tempo. A forma como nós alcançamos esse estado em todas as nossas atividades diárias é através do raciocínio e da consciência. Afinal, quando diminuímos a velocidade com que executamos nossos compromissos, automaticamente temos mais tempo para raciocinar e sermos conscientes sobre nós mesmas e sobre a nossa influência no mundo - como indivíduos e como população. A consciência é provavelmente uma das características mais marcantes da nossa espécie: Homo sapiens sapiens, o ser que pensa sobre o que ele pensa. A capacidade de raciocinar e fazer conexões conscientes é um caminho insubstituível para uma existência sustentável de autoconhecimento e felicidade. Portanto, o movimento slow life é a busca por uma vida mais simples, real, plena, justa e respeitosa através de relações com mais afeto e não apenas uma busca eterna pelo acúmulo de capital. Não só um estilo de vida, o slow life também é uma filosofia de produção e consumo, em que as decisões de compra são baseadas em atributos e valores de marcas que enfatizam a originalidade, as responsabilidades ambientais e sociais e a qualidade sobre a quantidade.

Uma vida slow está alinhada com práticas sustentáveis. A sustentabilidade exige uma reorganização da visão de mundo e de cada cidadão a partir de uma reflexão profunda sobre o que consideramos desenvolvimento e para onde esse desenvolvimento está levando toda a humanidade. O desenvolvimento sustentável, a manutenção dos ecossistemas e a responsabilidade dos seres humanos exigem uma abordagem diferenciada do paradigma da sociedade do consumo em que vivemos. Estamos em uma era onde precisamos refletir sobre como nos posicionamos: o que compramos, como compramos, porque compramos, que uso fazemos daquilo que compramos e que diálogo estamos travando com o meio ambiente. É provável que um novo modelo de produção-consumo esteja se preparando para eclodir com novas propostas e soluções. Nesses possíveis modelos que emergem de crises atuais e futuras residem os desafios urgentes da nossa geração. Assim como a Brisa, já estão presentes na sociedade muitas iniciativas com valores e ideais alinhados a uma lógica de organização pautada pela desaceleração e pela circularidade de seus processos, seguindo os processos naturais.

Durante uma crise é emergente pausar para atentamos aos novos rumos sociais que precisamos tomar se quisermos aprender a viver sem destruir irremediavelmente aquilo do que vivemos. A pausa é, portanto, uma busca por sobrevivência. É buscar uma sintonia com nós mesmas e com a natureza. É uma atitude imprescindível de contracultura e de transformação da nossa atual sociedade… Um caminho minimalista de aproximar-se do aqui e do agora, por mais instável que ele seja. Em tempos de pausa, respiramos fundo para estarmos mais presentes e conscientes e assim, diminuímos riscos, fazemos escolhas melhores e percebemos nosso próprio tempo no espaço.

Quanto mais cedo estabelecermos uma mudança global e sistêmica, pautada em valores ecológicos, mais qualidade de vida sobrará para nós como também para o nosso rico, vasto e singular planeta Terra.

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